Ciclo de 7: uma aula de Glen Velez e Lori Cotler

O ciclo em 7 é, talvez, o preferido da Lori Cotler. No primeiro vídeo abaixo, ela canta um tema genial (e simples) e abre para um solo do Glen Velez. No segundo, ela improvisa dentro do 7. Acompanhe marcando com palmas:

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|| ta ke di me ta ki ta||
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Tema e solo do Glen Velez no tar

Improviso da Lori Cotler (konnakol). O Glen toca riq.

Ciclo de 35 pulsos: 7 contra 5

Estava brincando com o Audacity, sobrepondo várias camadas rítmicas, e acabei gravando uma polirritmia 7:5 (7 contra 5). Não é algo musical, mas penso que serve bem a quem deseja treinar algo inusitado e ter uma base para alternar improvisos em 5 e em 7 numa mesma música, algo bastante raro.

Fiz uma base tradicional vocalizada em 7 apoiada por algumas batidas num tar pequeno e agudo, depois caxixi marcando em 5, outro em 7 e uma segunda voz entrando com frases em 5 (também apoiada pelo tar). Relevem os erros de sync porque minha edição no Audacity não foi nada cuidadosa. Vejamos como fica a notação disso (”x” é acento):

Voz e tar em 7:

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|| ta ke di me ta ki ta||
|| x__-__x__-__x__x__- ||

Caxixi em 5:

|| 1__2__3__4__5 ||
|| x__-__x__x__- ||

Voz em 5 (ciclo duplicado, se o de cima é colcheia, aqui vocalizo semicolcheia)

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|| ta ki ta ki ta | ta ki ta ki ta||
|| x__-__x__-__-__| x__-__x__-__- ||

Caxixi em 7 (fica nitido ao fim da gravação, também semicolcheia):

|| 1__2__3__4__5__6__7__| 1__2__3__4__5__6__7 ||
|| ta ki ta ki ta ki ta | ta ki ta ki ta ki ta||
|| x__-__x__-__x__-__-__| x__-__x__-__x__-__- ||

É claro que tudo isso só se cruza depois de 35 tempos, uma puta jornada para quem está acostumado com os 16 tempos tradicionais de 80% das músicas! Para os ocidentais, o compasso total é de 35/8, composto por 5 compassos 7/8 tocados simultaneamente com 7 compassos de 5/8. Ou, para ser mais simples, um ciclo grande 35 composto por 7 ciclos de 5 e 5 ciclos de 7 simultâneos.

Ouça e treine comigo:

Se não estiver visualizando o player, baixe o MP3.

Eu passaria um dia inteiro só me perdendo dentro desse ciclo!

Explorando o ciclo de 5

O ciclo de 5 permite muita liberdade para transitar entre os ciclos de 4 e 3. É um treino fundamental para qualquer baterista ou percussionista.

As orientações foram gravadas por mim (achei mais fácil do que explicar escrevendo). Peço desculpas pelos erros pois gravei de uma vez, sem várias faixas ou edições.

Ouça e treine comigo:

Ciclo de 5 com variações polirrítmicas em 3, 4, 7 e 9:

Se não estiver visualizando o player acima, baixe o MP3.

Mahavishnu Orchestra

Quem nunca ouviu da Mahavishnu Orchestra, liderada pelo John McLaughlin, bem, não sabe o que está perdendo… Até hoje o McLaughlin é fascinado por ritmos complexos e por transformações possíveis dentro de uma só estrutura. Veja, por exemplo, as maluquices que ele faz na música Dream. É apenas um 15/8, ora dividido em 3 (5 ciclos de 3), ora em 3 (3 ciclos de 5). Do feeling em 4 do rock para a sensação ternária do blues, tudo em apenas um segundo… Essa é a magia do fusion.

Abaixo, eles tocando Nooward Race. As repetições crescentes no final são geniais! E, claro, o Cobham destrói!

Lori Cotler e Glen Velez conversam em 5

Aqui em São Paulo, eles iniciaram o show com esse diálogo em 5. Em breve, pretendo falar mais sobre konnakol aqui no blog e também sobre o ciclo de 5. O vídeo é impressionante: